89.

     Quando estive em presença do Príncipe dos Crentes, Abû Ya’kûb, encontrei-o só com Abû Bakr ibn Tufayl. Este começou a elogiar-me, mencionando minha família e meus antepassados, e incluindo em seus relatos feitos superiores a meus próprios méritos. Além de perguntar meu nome, o de meu pai e de meus antepassados, a primeira coisa que me disse o Príncipe dos Crentes foi, referindo-se aos filósofos: “Que opinam sobre o céu? É eterno ou foi criado?” A confusão e o medo apoderaram-se de mim, e comecei a inventar desculpas e a negar que alguma vez me tivesse interessado pela filosofia, pois não sabia que Ibn Tufayl lhe havia falado a respeito. Mas o Príncipe dos Crentes compreendeu meu medo e minha confusão e, virando-se para Ibn Tufayl, pôs-se a falar sobre o que me havia perguntado, mencionando o que haviam dito Aristóteles, Platão e todos os filósofos, além de apresentar as objeções dos pensadores muçulmanos contra eles (...) Continuou tranquilizando-me desse modo, até que falei e expus o que pensava sobre o tema; e quando me retirei, ordenou que me fizessem um donativo em dinheiro, além de magníficas roupas de festa e um corcel.

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